Benvindos pais, filhos, professores, profissionais de puericultura e famílas

Olá:) Aqui vamos poder partilhar as nossas informações úteis, desafios…enfim…tudo o que tenha a ver com crianças no mundo dos e adultos no mundo das crianças. Obrigada por visitarem, lerem, comentarem e partilharem:)

Os Filhos – Problema ou Desafio?

Sou mãe de duas crianças, um menino com 2 anos e uma menina com 8 anos. Sou mãe porque escolhi ser, por isso é algo que adoro.

Há algo que me deixa sempre perplexa. As pessoas tendem sempre a fixar-se no que há de negativo e a não apreciar o que há de positivo. Nesta como em todas as áreas da vida. É comum ouvir dizer “os filhos são sempre um problema” e comentários similares, que resumem as dificuldades que os pais vivem. Mas será que essas dificuldades são apenas vividas como pais, ou será que transportam todos os seus problemas no relacionamento consigo próprios e com todos os outros seres humanos, também para esta área das suas vidas?

Podemos sempre escolher entre considerar algo que nos tira da rotina (especialmente algo que nos aborrece), como um problema ou como um desafio. Eu prefiro ver desafios. Qualquer mudança é sempre um desafio. Um desafio de flexibilidade, de crescimento, de amadurecimento  e podemos sempre escolher entre contrair com medo ou expandir com entusiasmo.

Os filhos são, sem dúvida, um grande desafio. Obrigam-nos frequentemente a rever os nossos valores, as nossas crenças, as nossas teimosias, as nossas fraquezas e as nossas forças. Desafiam-nos a brincar, a imaginar, a sonhar e desafiam-nos também a ser claros nos nossos propósitos e a sabermos definir concretamente quais são os nossos limites. Aliás, obrigam-nos até, se o quisermos fazer, a rever os nossos limites, porque muitos deles nem sequer são nossos, nem sequer pensámos neles, simplesmente recebemo-los dos outros e aceitámo-los como sendo nossos.

Os filhos obrigam-nos a sermos honestos. Detestam ser enganados, tal como nós, e se o que queremos ensinar-lhes é que a verdade vale mais do que qualquer outra coisa, realmente criar histórias só para conseguirmos o que queremos deles vai ensinar-lhes que a mentira dá resultado – vão aprender que é aceitável manipular os outros. E se usarmos a chantagem para obtermos o que queremos deles, vão aprender que esse tipo de manipulação também está bem para eles usarem na sua interacção social.

Para os nossos filhos, o simples: “Não faças isso” – “Porquê?” – “Porque não”, não basta. É preciso ser coerente. Nós também gostamos de saber os porquês disto e daquilo – e os nossos filhos não são autómatos acéfalos.

É preciso saber diferenciar claramente um “não” de um “sim”, também. No outro dia assistia no supermercado a uma novela interessante. Uma pequena de 2 anos pedia à avó que lhe comprasse um pacote de bonbons. Ela dizia que não, mas com a insitência da menina acabou por pegar no pacote, embora sempre dizendo que ela não precisava porque tinha em casa. Depois na caixa a menina pediu à avó que esta abrisse o pacote para ela comer um bonbon e avó dizia que não, mas fazia o contrário, ou seja, abriu o pacote e deu-lhe o dito bonbon. Ora como pode esta criança aprender o que é não e o que é sim?

Pergunto eu: se os filhos são sempre um problema para que é que os pais querem ter filhos? É um contrasenso.

Para mim os filhos são uma descoberta constante e uma redescoberta de mim própria também. São o novo a pular de vida, ávido de conhecer, com o fascínio inocente de quem experimenta algo pela primeira vez. São a alegria de cada momento existindo só porque sim. São a fronteira entre o óbvio e o menos óbvio – o limiar da consciência. Não têm máscaras e embora aprendam cedo a utilizar estratégias para obter o que querem ensinam-nos a cada passo sobre a nossa própria autenticidade. Os filhos ensinam-nos a aceitarmos que há outros pontos de vista, sendo que é absurdo pensar que uma criança possa compreender o mundo da mesma forma que um adulto, e obrigam-nos a ver que muito daquilo que tomamos como garantido, verdades absolutas -não é bem assim.

Convido-vos a serem pais alegres, gratos, flexíveis, conscientes, transparentes e honestos – autênticos seres humanos, não apenas a máscara de serem pais.

Com Amor

Tânia Castilho